sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Esperança fantasiosa





Uma criança formiga
rastejando feito um pássaro!
Cantando liberdade aconchegante, 
vai se aprochegando...

A criança fala sorrisos,
caminha flutuando, 
se perde pelos lugares 
dos seus pensamentos.
É tão real,
que delira!

Cumprimenta formigas,
cativa borboletas,
conversa com minhocas,
dança com os passarinhos.

É tanto delírio,
que é real!
Somente a singeleza infantil
concretiza fantasia!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O ag(ir), é ser!




Hoje caminhando atrasado para mais um dia esparramado, seguia num dia comum, na obrigatoriedade, por vezes não prazerosa, de concluir mais um dia de ofício! O desfecho da ação me colocou diante duma felicidade; estilo reencontrar cuidado de pessoas que você queria tê-las sempre por perto para aconchego de amor.

O desfecho do dia não poderia ser mecanizado. Às vezes observar o por-do-sol da janela do carro, da janela de casa. Outros, nem nada observar! Transito feliz por um ponto movimentado da cidade, na calmaria do meu primeiro pega pelo espaço tumultuado. Com certeza, um horário diferente do que costumo chegar em casa, mas um caminho percebido com intensas pluralidades. Primeiro, a lógica do tempo não passou a ser considerada por minuto, e sim por tragadas conseguidas de aberturas. Segundo, o caminho foi sendo apresentado para mim numa riqueza de detalhes, que só a solidão ali encontrada era capaz de captar tudo na mais tremenda paciência. Notei o cansaço chegar, todavia fui bem mais exigente. Terceiro, afirmei minha pensação de que moramos realmente numa caixa de fósforo!!! Porque transitei pela faixa oposta que comumente costumo pegar, e tive uma visão ampla de olhos julgando-me sem nem se quer aparecerem. Por fim, atravessei a rua e concretizei minha pensação de andar na rua rotineira com uma caixa de óculos de sol a noite!

Chego em casa, território atônito para mim hoje, e busco palestrar. Convido uma pessoa morada, mas ultimamente pouco habitada por encontros nossos! Consigo elaborar um pouco do que conversamos, segue rabisco:

Se as pessoas estivessem mais preocupadxs em amarrr, tanto ódio não se construiria!!!!!!
O amarrr lhe coloca minimamente numa relação recíproca de carinho, cuidado, consequentemente, produzindo um vínculo de amarrr e respeito. Aí sim muitas coisas possibilitam construir!!! Ao invés do ódio, mais agir pensando e amando ax próximx...
Exaltam muito no campo da teoria, exercita nada nesse devir-agir aqui nesta terra!!!! Apesar de se identificarem como bons mantenedorxs desta última.
Até que ponto acolher x diferente?
Por pensar assim, chamam de loucx. Ah como chamam!!!!



Segui divagando e afirmando poucas certezas inconcluídas! Não procuro pensar agora, pois o agir é ser!!!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ao meu amigo, Manoel de Barros







Talvez me console na eternidade de sua poesia;
na eternidade da sua desforma de escrever;
na eternidade de me contagiar pelos rastejos do chão;
na eternidade de lembrar a necessidade brincante.

Diante lágrimas,
vejo que elas são capazes de encher ruas, riachos,
e isso provocará felicidade brincante.
Talvez aí encontre aconchego.
Talvez no seu encontro com Bernardo, felicidade seja o único propósito. 

Talvez aí encontre aconchego.
A única certeza de tudo: sua eternidade no viver, agir, compreender poeticamente o incompreensível.

(In)final,
na dimensão infinita do amar,
(a mor)te!



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Amem sem (há)sento

Ocupa Nise 2014. Engenho de Dentro pra fora, Rio de Janeiro-RJ.



A tristeza se encontra com o tédio.
Nesse encontro o amor brotou!
Cheio de ou e até a próxima,
sem nunca terem se encontrado
A esperança logo chegou.
Dessa, brotou a dor!
A saudade logo encosta,
assim que a eternidade chegou.
O resultado inacabado,
na união ficou.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ser Tão





Sertão do Rio Grande do Norte, Parelhas.



Pulsa, pulsa aquela acolhida do sertão!
Ser tão intenso o caramelizado pôr-do-sol.
Perco-me no cheiro de terra molhada.
O verde da flora reluz diante do en(canto) dos pássaros.
Não consigo distinguir o camaleão no olhar caatingueiro.

A pausa para o café transitório.
De repente, os goles se confundem com pamonha, queijo de coalho assado, nata.
Lógico, acompanhado sempre das melhores palestras e a marca forte de fraternidade.

Lá, bem ali, o brotamento do amor.
Vem a lua, tímida e vigorante, enaltecendo entre as serras.
Uma pausa é precisa, simplesmente para senti-la.
Ô quanta luz, quanto mistério.
Nas suas escondidas brincais com as nuvens, só me acompanhava o cantar do catavento.
As nuvens resolveram captar a beleza celestial.

Qualquer descrição não será suficiente para a belezura sentida!
Maravilha, só assim me debruço na (in)completude.

Radiante, o sertão se encontra em mim!

sábado, 2 de agosto de 2014

(Des)invento




Parabólica é casa de passarinho.
Macarrão são minhocas que comemos.

Talvez se brincássemos de viver, o sol seria a luz que respeitaríamos ao se pôr!

Meu apito gorjeia e brota borboletas.
O rodo lá da minha avó é cavalinho saltitando.

Talvez se brincássemos de viver, as estrelas seriam nossa escuridão.

O muro lá de casa é o mundo, para molecada que nele vive.
Faço dos becos, um caminho para minhocão!

Talvez se brincássemos de viver, o luar seria ponto marcado para o amar.

Um balde é a cabeça do meu robô favorito, que se chama Ser Humano!
A panela de barro com jerimum dentro, sempre é um vulcão em erupção.
O cheiro verde do sertão, o aconchego da minha família.
E as obras de saneamento da cidade?
Ixi, nossos melhores brinquedos!

É, talvez se brincássemos de viver, existiria mais criança em nós!

sábado, 21 de junho de 2014

(A mor)te





Lembrança do voar de um amigo passarin!


Morro, sou borboleta.
Morro, viro um pássaro;
no seu mais alto voo, deslembro que fui finito.
Morro, sou uma serpente;
de repente, rastejo nas insignificâncias do viver.

Vivo, na liberdade dos melhores jardins.
Vivo, no voar das mais belas paisagens.
Vivo, em cada ser que habitava em mim.

Morrer será viver?
Viver será morrer?
Na dimensão infinita do amar,

(a mor)te!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Siá!





Grito de paz!
Silenciosamente gritando,
fortemente fraco.
Pétala nascente, dentro um infinito.

Vazio pequenez, enormemente pôr-do-sol!
Brotamento singelo de amorrr.

Em caminhos cruzantes no rastejo,
fazemos voar peixes.
Borboletas nadam, pássaros divagam.
Devagar, correm raposas.

Apressadamente caminho sobre o orvalho.
Faço do luar, oitos deitados e sendo puxados para o além!
Lugares caleidoscopiais,
ressurgem sertões cobertos de mar!


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sent(ir)








Sinto-me vazio!
Transbordo solidão...
Não consigo socialização nem com o silêncio dos peixes.
O mundo (a)parece vir até mim,
só sinto angústias.
Peço as cadeiras que me escondam!
Eu não estou aqui.
Desencontro-me com a lógica do funcionar humano,
não resisto aos vazios desnecessários.
Solitário, me deixe ir...

sábado, 22 de março de 2014

Além dos passarinhos






Deslizo pelos absurdos,
a sensatez nunca foi um porto para mim.
Buscava dançar para as formigas,
conversar com os passarinhos.
Confesso que me sentia muito triste quando os passarinhos cantavam e voavam...

Eles me deixavam falando só.


Só depois agradeci, por eles me buscarem sempre para o além...

sábado, 8 de março de 2014

Horipontes


Algumas das fotos postadas foram tiradas por uma amiga passarin, R. Lucas :)


Pego-me novamente reflet(indo) o coti(dia)no. Há alguns anos, horizontalizei horizontes; pude enxergar uma abertura ampla, uma diversidade ‘comum’, porém, incomum. Muitxs insistem em horizontes, poucos insistem na abertura ‘angular’ dele. Refiro-me às horizontalidades verticais, naqueles discursos falaciosos (ou sim?), que mais alimentam angústia, perversidade ao invés de horipontes!

O que quero dizer com horipontes? Para mim, seria sinônimo de travessia. Com licença, mas acredito que cada palavra tem vida e não vida comum, recorro sempre a um dos meus poetas preferidos, quem me conhece já sabe, Manoel de Barros. Maneco já diz: “quanto às funções da poesia...creio que a principal é a de promover o arejamento das palavras, inventando para elas novos relacionamentos, para que os idiomas não morram a morte por fórmulas, por lugares comuns.”. Então, sinônimo de trave(cia). Sim, companhias. Para qualquer mu(dança) que passei dentro dos últimos cinco anos (não é coincidência a minha entrada numa Universidade), tive a oportunidade (ainda tenho) de degustar potentes e maravilhosos encontros. Não quero individualizar a ação, afinal, sou singular, mas também sou plural!

Em 2017, me encontro com uma pessoa que considero amiga. Somos amigxs distantes, no aniversário sempre envio um canto de pássaro! Percebo nos discursos nossos distanciamentos teóricos, inclusive (o mais perceptível), nossa concepção de mundo e de homem. Esse mesmo amigo acha um absurdo mulheres (com toda licença da palavra, com todo respeito) fuder com cinco, três, dez homens; ele ainda acredita em toda aquela concepção doméstica, pura, santa das mulheres, indicando seu discurso machista. Conversa flui, apesar dos distanciamentos, mas sempre procuro acolher meus/minhas amigxs, afinal, amo-os.

Durante a conversa, o mesmo relatou a ‘dificuldade’ em encontrar uma mulher nesses moldes; além disso, fala com sorriso estampado no rosto que “comeu” três mulheres nas últimas semanas. Todavia, discute com precisão referências ‘intelectuais’, executa a oratória em outros idiomas. Realmente, pensando bem, hoje no mundo, isso basta! O que me deixa mais impressionado é para nossa ação temporal: entramos praticamente numa mesma época dentro do ‘universo’ que chamam a ‘Universidade’, possuímos praticamente uma mesma condição socioeconômica, mas o tempo é bastante atemporal.

Nessas situações que percebo a importância da horizontalidade dos horizontes; a necessidade das trave(cias) nos horipontes! Cada ponte é um caminho, outras não tem nem se quer caminho, outras levam a um mesmo caminhar, outras ainda oferece tantos outros caminhos. Ah, o que me deixa preocupado também é que essx mesmx amigx deseja um “feliz dia internacional da mulher”, com flores, bombons e cartãozinho. Não, não sou contra flores, bombons e muito menos cartãozinho, apenas não acredito nas horizontalidades verticais (e porque não paradoxas?). Pacientemente impaciente...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Escre(ver)




Não consigo me expressar oratoriamente, o escrever me deixa mais perto de mim! Talvez, pela liberdade que me traz; pela suavidade que me beija; pela inventividade que carrega. A minha alma parece saltar; a lua que me lembra nós dois, se resume a solidão; a poesia, o que seria ponto de intersecção, parece não me encantar. No momento, somente a solidão me acolhe, a tristeza chega perto, o não-falar me consome; os meus dedos correm, correm, as músicas disparam, meu estômago dói. Acompanho sem perceber o canto dos grilos, ouço até uma formiga caminhando. Mas não sinto meu caminhar. Fico brechando o sol vir. Só horizonto estrelas se derretendo. Ou será meus olhos?

Neste descompasso compreensível, não compreendo! Não me deixo compreender, muito menos me amar. Os símbolos parecem não fazer sentido. A alegria resolveu descansar, e deixar de prontidão a angústia, sofrimento. Talvez sentir o caminho não percorrido. Deixo-me não ir...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um dia típico para atipi.cidades



Atrás de buscar existência, me escondo nas árvores para gravar o pouso do beija-flor. Aliás, nunca fora tão recorrente a frase que amanheceu comigo: “uma flor nasceu na rua”. Sempre me perguntava por que Drummond festejara tanto pelo simples nascer de uma flor! Interessante, a flor para Renally é mãe; a flor para Thaíza é luz; a flor para Mattheus é o ponto de equilíbrio de uma quarta-feira; a flor para Lais é revolução; a flor para Mainha é paixão. Pelo norte das flores, fui a procura do cotidiano incomum; para mim, a rotina se transformava num aconchego celestial. Minha única preocupação durante o dia é não atrasar para o espetáculo do por do sol.
No microcosmo, as pessoas se alimentavam de vida! Umas contemplavam o amanhecer, para quem era da tarde; outras sentiam o entardecer, para quem era da manhã; sem manha, a natureza era ponto de intersecção dos seres. Isso era passado de criança para adulto.
Enaltecendo os (des)percebidos, encontramos mãe, luz, equilíbrio, revolução, paixão! Chocamo-nos também com a ignorância, impaciência, e as luzes estrelares. Nada mais encorajador que escutar: “olá, você está precisando de ajuda?”; além do mais, apreciamos escutatórias amorosas. Ah, mas nada mais gratificante que ganhar um sorriso infantil, daqueles onde o simples voar de uma minhoca provoca insensatez.
Degustei todas as situações no cotidiano incomum. Observei convite de aniversário de um pedinte; elefantes oferecendo carona para borboletas; o por do sol pedindo mais tempo para o luar; e os amigos pedindo mais tempo para celebrar. Sinto que usei uma lupa, mal observava o camelo passar na minha frente.
E logo entrei no coro junto ao Drummond: “uma flor nasceu na rua”. Reconheço minha suavidade histérica ao gritar; era uma felicidade tão grande por entender/sentir o significado de captação da frase. Afinal, nas ruas nascem flores que poetas exigem em afirmar que são vidas!

Flores!!!!! 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ali(mente)-se!



Para não cair no esquecimento! Alimente-se...

Com açúcar, com afeto.

Breno Lincoln Diniz.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Outros olh.ares

E que a necessidade de suportar o coti(dia)no seja sempre motivo para (re)inventar, viver, (des)aprender, e degustar as melhores performances infantis! Que os nossos novos anos possibilite reflexão, movimento, vida, aconchegos rastejantes e encontros potentes!!!

Com açúcar, com afeto.




Nasci para o infinito...
Preencher pequenormes vazios!
Vazios de vida!
(Re)inventar vida? (Des)construir pragmatismos?
Inventar!
Brincar!
(Arte)sã.nar...
Quanta vida existe entre as poesias, no coti.dia.ano rotineiro, quanta vida!
Dinami(cidade).
Despropositadamente, encontros com um canto de en(canto).
Degustemos o pôr-do-sol...
Vivemos nos alimentando do luar!
E sempre nos lambuzemos nas guloseimas da poe(cia)!

Eita, terá limite?


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Loucura por desnecessidades

desnecessidade

Fins de ano muitos recorrem à solidariedade, amizade, laços estreitos, também desfeitos; muitos cegos para maioria dessas ações, poucos memoram para os atos em eventos da vida diária. Todavia, exalam beijos, abraços, carinhos, afetos desaguados. Interessante, procura-se ajudar ao próximo, e pouco ajudamos a quem está ao nosso lado, bem visível na cegueira habitual.

Lógico, os que não comungam do pensamento, minimamente, serão taxados. Ué, mas se o que gosto de sentir são esses atos cotidianamente; e pouco brota isso na maioria do ano. Gentileza é visto por gente lesa miudamente. Engraçado, atos tão miúdos e efeitos tão maiúsculos. E fins de ano é assim, vou me envolvendo, vou me encontrando, felizmente satisfeito broto risos, abraços, poesias, beijos, afetos. É uma sensação tão enérgica, simbiótica. Pres@s, hospitalizad@s, tod@s correm para ‘casas’. Afinal, pouco mais de uma semana o marasmo ressurge, acompanhado do egoísmo, da individualidade, da invisibilidade da solidariedade em eventos corriqueiros. Ué, será que é a mesma gente? Gente como a gente? Ou gente por gente? Não, não, gente por cima de gente em filas, hospitais, prisões, escolas. Calma, a mesma gente?

E o processamento de tudo isso emperra nos meus pensamentos. Demoro a entender a mudança brusca para o bem repentino. Mansamente a ferocidade do mal flui. Incrivelmente incrível. Os dias correm, nem sequer notamos em lembrar do próximo; é muita coisa para tomar conta, realoque! E vai crescendo, crescendo a realocação de amor, afeto, união, solidariedade, percebidos como desnecessários.

É, talvez pouco entenda toda essa minha vontade de amar, se encontrar, beijar, abraçar. Alguns afirmam que sobrevivo de abraços. Vou realocando muitas desnecessidades como prioridades. Talvez justifique a minha loucura afetiva, me impulsionando para “amar e mudar as coisas”. Tenho dito, “me interessa mais”.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Muito adulto para pouca criança!

A vida de adulto é cruel, maçante, sempre uma correria. Nunca param para ir à casa de fulano, de sicrano; é tanto fulano e sicrano que vão se perdendo pelo caminho.
É uma luta para conseguir juntar tod@s @s seus/suas melhores amig@s. É, eles não entendem o quanto isso é essencial na vida de muit@s, ou melhor, de tod@s! Será que fingem entender?

Vida de adulto é muito chata...

Acordar as tantas horas da manhã,
com a única preocupação: escolher qual desenho assistir!
Passar o dia de pijama, distante das grandes burocracias que nos cercam.
Aperreio de encontrar o amigo no esconde-esconde,
aperreio distante dos fins econômicos.
Pego fila para comprar os doces mais disputados da confeitaria!
Simplesmente um real, vira uma docelândia.
Minha única obrigação: realizar as tarefas da escola....
Hoje, na intersecção do mundo adulto,
observo como a vida de adulto é ruim.
Acordar mal humorado, sem contemplar o sol...
Passar o dia basicamente composto, próximo às burocracias de vida!
Sem muita companhia interessante, minimamente uma conversa de como tá o tempo...
Aperreio econômico, como se a economia fosse seu modo de existir!
Muito chata, vida de adulto.
Que as nossas crianças não desapareçam nunca de dentro de nós!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Des(aprender)

O que pensar duma educação bancária? Feliz em nos ensinar questionamentos, posicionamentos, pensamentos fixos, inertes, conservadores, e por que não fajuto de uma realidade pouco conhecida por muitos, ou melhor, fingem desconhecer! Aprendo nas aulas de histórias que pessoas simplesmente entraram na nossa casa e colonizaram, tá ali o fruto de uma miséria em potencial; muitos acreditam que a mudança jamais é possível, devido ao fato consensual! É, não aprendo nas aulas de histórias perguntas (reflexivas) simples, porém, de pouca ação e efeito na vida bancária de tod@s. O porquê da colonização? Porque não a reação d@s nativ@s? O que vem por trás de tudo isso? Mera especulação sensível, algo muito pouco valorizado nesse ambiente (mundo) que habito; inclusive, classificação puramente sensitiva para as mulheres, de preferência. Mulheres, sensibilidades, homens, grosseria; meramente, vou afirmando o machismo nas práticas cotidianas e ‘inatas’ ao Homem. Momento algum questionamos os interesses primordiais de uma bio(política)logia. Ah, lógico, descobriram-inventaram uma indústria da ‘cura’, olha só. Muit@s tem acesso somente porque possuem capital. Naturalizo as formas do existir com a ciência, chamada carinhosamente por mim nas décadas dos anos 90. Não me apresentam a (trans)cendência do existir, pelo contrário, você anda assim, se veste assim, porque você é homem e ela mulher. Não inventem de querer gostar do rosa, e ela do azul, permanentemente proibido. Ouviu? E já viram né? Ouvíamos! Atrelado a isso, vou aprendendo todo o arcabouço teórico cartesiano (e porque não positivista) da física newtoniana, e o fascínio da física clássica, de Einstein, visto por mim como algo complicado, impossível, chato, viajoso e só está aí para atrapalhar. A química me apresenta a necessidade de ambientes isolados para o aprendizado, sempre visitávamos os melhores laboratórios de cientistas, e nunca visitávamos uma ‘casa’ dum artesã(o). Ai chega a geografia naturalizando essa merda de mundo simplista, em algo mais simplista ainda. O mundo é uma bola, cheia de água, terra, pessoas, bichos, prédios, tribos, disputa, poder, dinheiro, economia, lua, estrelas. Pedem por uma reformulação no ato do ensinar, ai desconsideram Paulo Freire, sujeito nunca visto nos meus onze anos de prática educativa bancária (consideremos o ciclo estudantil esperado por tod@s nós). A única formulação: colocar nos problemas resolutivos da matemática, histórias de vidas dissimuladas e medíocres! Por exemplo, Zé Bicho pediu ao Bicho Homem mais conscientização para problemas simples demais de resolver, traçar a tangente da pouca vergonha duma maioria expressiva de gente em se conformar com o que lidamos aqui! Tá bom, o inglês vem, bagunça tudo, e mal podemos brincar com o português, porque é visto como sério demais por adultos! Brinc.ar com as palavras? Não, você basicamente estará surtado. Ai posso voltar lá para o começo-meio do escrito, e perceber que a ‘cura’ ainda é objetivo de muit@s. Por trás disso tudo, não via a concepção política clara, determinada, e jurava que iria conseguir construir um mundo servil, onde os que podiam simplesmente comandava, e os autores principais, aqueles da labuta diária, ofuscad@s! Covardemente, silenciad@s. Eu, lógico, acreditava numa possível neutralidade, onde o bem compensatório bastava. E quando me deparo com essa complexidade de mundo, de gente, de pessoas, de vida, de existir, de amar, de estudar, de viver, percebo que muito tenho a (des)aprender!!!!