quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Des(aprender)

O que pensar duma educação bancária? Feliz em nos ensinar questionamentos, posicionamentos, pensamentos fixos, inertes, conservadores, e por que não fajuto de uma realidade pouco conhecida por muitos, ou melhor, fingem desconhecer! Aprendo nas aulas de histórias que pessoas simplesmente entraram na nossa casa e colonizaram, tá ali o fruto de uma miséria em potencial; muitos acreditam que a mudança jamais é possível, devido ao fato consensual! É, não aprendo nas aulas de histórias perguntas (reflexivas) simples, porém, de pouca ação e efeito na vida bancária de tod@s. O porquê da colonização? Porque não a reação d@s nativ@s? O que vem por trás de tudo isso? Mera especulação sensível, algo muito pouco valorizado nesse ambiente (mundo) que habito; inclusive, classificação puramente sensitiva para as mulheres, de preferência. Mulheres, sensibilidades, homens, grosseria; meramente, vou afirmando o machismo nas práticas cotidianas e ‘inatas’ ao Homem. Momento algum questionamos os interesses primordiais de uma bio(política)logia. Ah, lógico, descobriram-inventaram uma indústria da ‘cura’, olha só. Muit@s tem acesso somente porque possuem capital. Naturalizo as formas do existir com a ciência, chamada carinhosamente por mim nas décadas dos anos 90. Não me apresentam a (trans)cendência do existir, pelo contrário, você anda assim, se veste assim, porque você é homem e ela mulher. Não inventem de querer gostar do rosa, e ela do azul, permanentemente proibido. Ouviu? E já viram né? Ouvíamos! Atrelado a isso, vou aprendendo todo o arcabouço teórico cartesiano (e porque não positivista) da física newtoniana, e o fascínio da física clássica, de Einstein, visto por mim como algo complicado, impossível, chato, viajoso e só está aí para atrapalhar. A química me apresenta a necessidade de ambientes isolados para o aprendizado, sempre visitávamos os melhores laboratórios de cientistas, e nunca visitávamos uma ‘casa’ dum artesã(o). Ai chega a geografia naturalizando essa merda de mundo simplista, em algo mais simplista ainda. O mundo é uma bola, cheia de água, terra, pessoas, bichos, prédios, tribos, disputa, poder, dinheiro, economia, lua, estrelas. Pedem por uma reformulação no ato do ensinar, ai desconsideram Paulo Freire, sujeito nunca visto nos meus onze anos de prática educativa bancária (consideremos o ciclo estudantil esperado por tod@s nós). A única formulação: colocar nos problemas resolutivos da matemática, histórias de vidas dissimuladas e medíocres! Por exemplo, Zé Bicho pediu ao Bicho Homem mais conscientização para problemas simples demais de resolver, traçar a tangente da pouca vergonha duma maioria expressiva de gente em se conformar com o que lidamos aqui! Tá bom, o inglês vem, bagunça tudo, e mal podemos brincar com o português, porque é visto como sério demais por adultos! Brinc.ar com as palavras? Não, você basicamente estará surtado. Ai posso voltar lá para o começo-meio do escrito, e perceber que a ‘cura’ ainda é objetivo de muit@s. Por trás disso tudo, não via a concepção política clara, determinada, e jurava que iria conseguir construir um mundo servil, onde os que podiam simplesmente comandava, e os autores principais, aqueles da labuta diária, ofuscad@s! Covardemente, silenciad@s. Eu, lógico, acreditava numa possível neutralidade, onde o bem compensatório bastava. E quando me deparo com essa complexidade de mundo, de gente, de pessoas, de vida, de existir, de amar, de estudar, de viver, percebo que muito tenho a (des)aprender!!!!

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