Fins de ano muitos recorrem à
solidariedade, amizade, laços estreitos, também desfeitos; muitos cegos para
maioria dessas ações, poucos memoram para os atos em eventos da vida diária. Todavia,
exalam beijos, abraços, carinhos, afetos desaguados. Interessante, procura-se
ajudar ao próximo, e pouco ajudamos a quem está ao nosso lado, bem visível na
cegueira habitual.
Lógico, os que não comungam do
pensamento, minimamente, serão taxados. Ué, mas se o que gosto de sentir são
esses atos cotidianamente; e pouco brota isso na maioria do ano. Gentileza é
visto por gente lesa miudamente. Engraçado, atos tão miúdos e efeitos tão maiúsculos.
E fins de ano é assim, vou me envolvendo, vou me encontrando, felizmente
satisfeito broto risos, abraços, poesias, beijos, afetos. É uma sensação tão
enérgica, simbiótica. Pres@s, hospitalizad@s, tod@s correm para ‘casas’.
Afinal, pouco mais de uma semana o marasmo ressurge, acompanhado do egoísmo, da
individualidade, da invisibilidade da solidariedade em eventos corriqueiros.
Ué, será que é a mesma gente? Gente como a gente? Ou gente por gente? Não, não,
gente por cima de gente em filas, hospitais, prisões, escolas. Calma, a mesma
gente?
E o processamento de tudo isso
emperra nos meus pensamentos. Demoro a entender a mudança brusca para o bem
repentino. Mansamente a ferocidade do mal flui. Incrivelmente incrível. Os dias
correm, nem sequer notamos em lembrar do próximo; é muita coisa para tomar conta,
realoque! E vai crescendo, crescendo a realocação de amor, afeto, união, solidariedade,
percebidos como desnecessários.
É, talvez pouco entenda toda essa
minha vontade de amar, se encontrar, beijar, abraçar. Alguns afirmam que
sobrevivo de abraços. Vou realocando
muitas desnecessidades como prioridades. Talvez justifique a minha loucura
afetiva, me impulsionando para “amar e mudar as coisas”. Tenho dito, “me
interessa mais”.