A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com a realidade. Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogios. Manoel de Barros
sábado, 2 de agosto de 2014
(Des)invento
Parabólica é casa de passarinho.
Macarrão são minhocas que comemos.
Talvez se brincássemos de viver, o sol seria a luz que respeitaríamos ao se pôr!
Meu apito gorjeia e brota borboletas.
O rodo lá da minha avó é cavalinho saltitando.
Talvez se brincássemos de viver, as estrelas seriam nossa escuridão.
O muro lá de casa é o mundo, para molecada que nele vive.
Faço dos becos, um caminho para minhocão!
Talvez se brincássemos de viver, o luar seria ponto marcado para o amar.
Um balde é a cabeça do meu robô favorito, que se chama Ser Humano!
A panela de barro com jerimum dentro, sempre é um vulcão em erupção.
O cheiro verde do sertão, o aconchego da minha família.
E as obras de saneamento da cidade?
Ixi, nossos melhores brinquedos!
É, talvez se brincássemos de viver, existiria mais criança em nós!
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