Atrás de buscar
existência, me escondo nas árvores para gravar o pouso do beija-flor. Aliás, nunca
fora tão recorrente a frase que amanheceu comigo: “uma flor nasceu na rua”.
Sempre me perguntava por que Drummond festejara tanto pelo simples nascer de
uma flor! Interessante, a flor para Renally é mãe; a flor para Thaíza é luz; a
flor para Mattheus é o ponto de equilíbrio de uma quarta-feira; a flor para
Lais é revolução; a flor para Mainha é paixão. Pelo norte das flores, fui a
procura do cotidiano incomum; para mim, a rotina se transformava num aconchego
celestial. Minha única preocupação durante o dia é não atrasar para o
espetáculo do por do sol.
No microcosmo, as
pessoas se alimentavam de vida! Umas contemplavam o amanhecer, para quem era da
tarde; outras sentiam o entardecer, para quem era da manhã; sem manha, a
natureza era ponto de intersecção dos seres. Isso era passado de criança para
adulto.
Enaltecendo os
(des)percebidos, encontramos mãe, luz, equilíbrio, revolução, paixão! Chocamo-nos
também com a ignorância, impaciência, e as luzes estrelares. Nada mais
encorajador que escutar: “olá, você está precisando de ajuda?”; além do mais,
apreciamos escutatórias amorosas. Ah, mas nada mais gratificante que ganhar um
sorriso infantil, daqueles onde o simples voar de uma minhoca provoca
insensatez.
Degustei todas as situações
no cotidiano incomum. Observei convite de aniversário de um pedinte; elefantes
oferecendo carona para borboletas; o por do sol pedindo mais tempo para o luar;
e os amigos pedindo mais tempo para celebrar. Sinto que usei uma lupa, mal
observava o camelo passar na minha frente.
E logo entrei no coro
junto ao Drummond: “uma flor nasceu na rua”. Reconheço minha suavidade
histérica ao gritar; era uma felicidade tão grande por entender/sentir o
significado de captação da frase. Afinal, nas ruas nascem flores que poetas
exigem em afirmar que são vidas!
Flores!!!!!
