segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um dia típico para atipi.cidades



Atrás de buscar existência, me escondo nas árvores para gravar o pouso do beija-flor. Aliás, nunca fora tão recorrente a frase que amanheceu comigo: “uma flor nasceu na rua”. Sempre me perguntava por que Drummond festejara tanto pelo simples nascer de uma flor! Interessante, a flor para Renally é mãe; a flor para Thaíza é luz; a flor para Mattheus é o ponto de equilíbrio de uma quarta-feira; a flor para Lais é revolução; a flor para Mainha é paixão. Pelo norte das flores, fui a procura do cotidiano incomum; para mim, a rotina se transformava num aconchego celestial. Minha única preocupação durante o dia é não atrasar para o espetáculo do por do sol.
No microcosmo, as pessoas se alimentavam de vida! Umas contemplavam o amanhecer, para quem era da tarde; outras sentiam o entardecer, para quem era da manhã; sem manha, a natureza era ponto de intersecção dos seres. Isso era passado de criança para adulto.
Enaltecendo os (des)percebidos, encontramos mãe, luz, equilíbrio, revolução, paixão! Chocamo-nos também com a ignorância, impaciência, e as luzes estrelares. Nada mais encorajador que escutar: “olá, você está precisando de ajuda?”; além do mais, apreciamos escutatórias amorosas. Ah, mas nada mais gratificante que ganhar um sorriso infantil, daqueles onde o simples voar de uma minhoca provoca insensatez.
Degustei todas as situações no cotidiano incomum. Observei convite de aniversário de um pedinte; elefantes oferecendo carona para borboletas; o por do sol pedindo mais tempo para o luar; e os amigos pedindo mais tempo para celebrar. Sinto que usei uma lupa, mal observava o camelo passar na minha frente.
E logo entrei no coro junto ao Drummond: “uma flor nasceu na rua”. Reconheço minha suavidade histérica ao gritar; era uma felicidade tão grande por entender/sentir o significado de captação da frase. Afinal, nas ruas nascem flores que poetas exigem em afirmar que são vidas!

Flores!!!!!