sábado, 8 de março de 2014

Horipontes


Algumas das fotos postadas foram tiradas por uma amiga passarin, R. Lucas :)


Pego-me novamente reflet(indo) o coti(dia)no. Há alguns anos, horizontalizei horizontes; pude enxergar uma abertura ampla, uma diversidade ‘comum’, porém, incomum. Muitxs insistem em horizontes, poucos insistem na abertura ‘angular’ dele. Refiro-me às horizontalidades verticais, naqueles discursos falaciosos (ou sim?), que mais alimentam angústia, perversidade ao invés de horipontes!

O que quero dizer com horipontes? Para mim, seria sinônimo de travessia. Com licença, mas acredito que cada palavra tem vida e não vida comum, recorro sempre a um dos meus poetas preferidos, quem me conhece já sabe, Manoel de Barros. Maneco já diz: “quanto às funções da poesia...creio que a principal é a de promover o arejamento das palavras, inventando para elas novos relacionamentos, para que os idiomas não morram a morte por fórmulas, por lugares comuns.”. Então, sinônimo de trave(cia). Sim, companhias. Para qualquer mu(dança) que passei dentro dos últimos cinco anos (não é coincidência a minha entrada numa Universidade), tive a oportunidade (ainda tenho) de degustar potentes e maravilhosos encontros. Não quero individualizar a ação, afinal, sou singular, mas também sou plural!

Em 2017, me encontro com uma pessoa que considero amiga. Somos amigxs distantes, no aniversário sempre envio um canto de pássaro! Percebo nos discursos nossos distanciamentos teóricos, inclusive (o mais perceptível), nossa concepção de mundo e de homem. Esse mesmo amigo acha um absurdo mulheres (com toda licença da palavra, com todo respeito) fuder com cinco, três, dez homens; ele ainda acredita em toda aquela concepção doméstica, pura, santa das mulheres, indicando seu discurso machista. Conversa flui, apesar dos distanciamentos, mas sempre procuro acolher meus/minhas amigxs, afinal, amo-os.

Durante a conversa, o mesmo relatou a ‘dificuldade’ em encontrar uma mulher nesses moldes; além disso, fala com sorriso estampado no rosto que “comeu” três mulheres nas últimas semanas. Todavia, discute com precisão referências ‘intelectuais’, executa a oratória em outros idiomas. Realmente, pensando bem, hoje no mundo, isso basta! O que me deixa mais impressionado é para nossa ação temporal: entramos praticamente numa mesma época dentro do ‘universo’ que chamam a ‘Universidade’, possuímos praticamente uma mesma condição socioeconômica, mas o tempo é bastante atemporal.

Nessas situações que percebo a importância da horizontalidade dos horizontes; a necessidade das trave(cias) nos horipontes! Cada ponte é um caminho, outras não tem nem se quer caminho, outras levam a um mesmo caminhar, outras ainda oferece tantos outros caminhos. Ah, o que me deixa preocupado também é que essx mesmx amigx deseja um “feliz dia internacional da mulher”, com flores, bombons e cartãozinho. Não, não sou contra flores, bombons e muito menos cartãozinho, apenas não acredito nas horizontalidades verticais (e porque não paradoxas?). Pacientemente impaciente...

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