A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com a realidade. Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogios. Manoel de Barros
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Sent(ir)
Sinto-me vazio!
Transbordo solidão...
Não consigo socialização nem com o silêncio dos peixes.
O mundo (a)parece vir até mim,
só sinto angústias.
Peço as cadeiras que me escondam!
Eu não estou aqui.
Desencontro-me com a lógica do funcionar humano,
não resisto aos vazios desnecessários.
Solitário, me deixe ir...
sábado, 22 de março de 2014
Além dos passarinhos
sábado, 8 de março de 2014
Horipontes
| Algumas das fotos postadas foram tiradas por uma amiga passarin, R. Lucas :) |
Pego-me novamente
reflet(indo) o coti(dia)no. Há alguns anos, horizontalizei horizontes; pude
enxergar uma abertura ampla, uma diversidade ‘comum’, porém, incomum. Muitxs
insistem em horizontes, poucos insistem na abertura ‘angular’ dele. Refiro-me
às horizontalidades verticais, naqueles discursos falaciosos (ou sim?), que
mais alimentam angústia, perversidade ao invés de horipontes!
O que quero dizer com
horipontes? Para mim, seria sinônimo de travessia. Com licença, mas acredito que cada palavra tem vida e não vida comum, recorro sempre a um dos meus poetas
preferidos, quem me conhece já sabe, Manoel de Barros. Maneco já diz: “quanto
às funções da poesia...creio que a principal é a de promover o arejamento das
palavras, inventando para elas novos relacionamentos, para que os idiomas não
morram a morte por fórmulas, por lugares comuns.”. Então, sinônimo de
trave(cia). Sim, companhias. Para qualquer mu(dança) que passei dentro dos
últimos cinco anos (não é coincidência a minha entrada numa Universidade), tive
a oportunidade (ainda tenho) de degustar potentes e maravilhosos encontros. Não
quero individualizar a ação, afinal, sou singular, mas também sou plural!
Em 2017, me encontro
com uma pessoa que considero amiga. Somos amigxs distantes, no aniversário
sempre envio um canto de pássaro! Percebo nos discursos nossos distanciamentos
teóricos, inclusive (o mais perceptível), nossa concepção de mundo e de homem.
Esse mesmo amigo acha um absurdo mulheres (com toda licença da palavra, com
todo respeito) fuder com cinco, três, dez homens; ele ainda acredita em toda
aquela concepção doméstica, pura, santa das mulheres, indicando seu discurso
machista. Conversa flui, apesar dos distanciamentos, mas sempre procuro acolher
meus/minhas amigxs, afinal, amo-os.
Durante a conversa, o
mesmo relatou a ‘dificuldade’ em encontrar uma mulher nesses moldes; além
disso, fala com sorriso estampado no rosto que “comeu” três mulheres nas
últimas semanas. Todavia, discute com precisão referências ‘intelectuais’,
executa a oratória em outros idiomas. Realmente, pensando bem, hoje no mundo,
isso basta! O que me deixa mais impressionado é para nossa ação temporal:
entramos praticamente numa mesma época dentro do ‘universo’ que chamam a ‘Universidade’,
possuímos praticamente uma mesma condição socioeconômica, mas o tempo é
bastante atemporal.
Nessas situações que
percebo a importância da horizontalidade dos horizontes; a necessidade das
trave(cias) nos horipontes! Cada ponte é um caminho, outras não tem nem se quer
caminho, outras levam a um mesmo caminhar, outras ainda oferece tantos outros
caminhos. Ah, o que me deixa preocupado também é que essx mesmx amigx deseja um “feliz dia internacional da mulher”, com flores, bombons e cartãozinho.
Não, não sou contra flores, bombons e muito menos cartãozinho, apenas não acredito
nas horizontalidades verticais (e porque não paradoxas?). Pacientemente
impaciente...
quinta-feira, 6 de março de 2014
Escre(ver)
Não consigo me expressar
oratoriamente, o escrever me deixa mais perto de mim! Talvez, pela liberdade
que me traz; pela suavidade que me beija; pela inventividade que carrega. A
minha alma parece saltar; a lua que me lembra nós dois, se resume a solidão; a
poesia, o que seria ponto de intersecção, parece não me encantar. No momento,
somente a solidão me acolhe, a tristeza chega perto, o não-falar me consome; os
meus dedos correm, correm, as músicas disparam, meu estômago dói. Acompanho sem
perceber o canto dos grilos, ouço até uma formiga caminhando. Mas não sinto meu
caminhar. Fico brechando o sol vir. Só horizonto estrelas se derretendo. Ou
será meus olhos?
Neste descompasso
compreensível, não compreendo! Não me deixo compreender, muito menos me amar.
Os símbolos parecem não fazer sentido. A alegria resolveu descansar, e deixar
de prontidão a angústia, sofrimento. Talvez sentir o caminho não percorrido.
Deixo-me não ir...
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Um dia típico para atipi.cidades
Atrás de buscar
existência, me escondo nas árvores para gravar o pouso do beija-flor. Aliás, nunca
fora tão recorrente a frase que amanheceu comigo: “uma flor nasceu na rua”.
Sempre me perguntava por que Drummond festejara tanto pelo simples nascer de
uma flor! Interessante, a flor para Renally é mãe; a flor para Thaíza é luz; a
flor para Mattheus é o ponto de equilíbrio de uma quarta-feira; a flor para
Lais é revolução; a flor para Mainha é paixão. Pelo norte das flores, fui a
procura do cotidiano incomum; para mim, a rotina se transformava num aconchego
celestial. Minha única preocupação durante o dia é não atrasar para o
espetáculo do por do sol.
No microcosmo, as
pessoas se alimentavam de vida! Umas contemplavam o amanhecer, para quem era da
tarde; outras sentiam o entardecer, para quem era da manhã; sem manha, a
natureza era ponto de intersecção dos seres. Isso era passado de criança para
adulto.
Enaltecendo os
(des)percebidos, encontramos mãe, luz, equilíbrio, revolução, paixão! Chocamo-nos
também com a ignorância, impaciência, e as luzes estrelares. Nada mais
encorajador que escutar: “olá, você está precisando de ajuda?”; além do mais,
apreciamos escutatórias amorosas. Ah, mas nada mais gratificante que ganhar um
sorriso infantil, daqueles onde o simples voar de uma minhoca provoca
insensatez.
Degustei todas as situações
no cotidiano incomum. Observei convite de aniversário de um pedinte; elefantes
oferecendo carona para borboletas; o por do sol pedindo mais tempo para o luar;
e os amigos pedindo mais tempo para celebrar. Sinto que usei uma lupa, mal
observava o camelo passar na minha frente.
E logo entrei no coro
junto ao Drummond: “uma flor nasceu na rua”. Reconheço minha suavidade
histérica ao gritar; era uma felicidade tão grande por entender/sentir o
significado de captação da frase. Afinal, nas ruas nascem flores que poetas
exigem em afirmar que são vidas!
Flores!!!!!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Outros olh.ares
E que a necessidade de suportar o coti(dia)no seja sempre motivo para (re)inventar, viver, (des)aprender, e degustar as melhores performances infantis! Que os nossos novos anos possibilite reflexão, movimento, vida, aconchegos rastejantes e encontros potentes!!!
Com açúcar, com afeto.
Nasci para o infinito...
Preencher pequenormes vazios!
Vazios de vida!
(Re)inventar vida? (Des)construir
pragmatismos?
Inventar!
Brincar!
(Arte)sã.nar...
Quanta vida existe entre as poesias, no
coti.dia.ano rotineiro, quanta vida!
Dinami(cidade).
Despropositadamente, encontros com um canto
de en(canto).
Degustemos o pôr-do-sol...
Vivemos nos alimentando do luar!
E sempre nos lambuzemos nas guloseimas da
poe(cia)!
Eita, terá limite?
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