sábado, 22 de março de 2014

Além dos passarinhos






Deslizo pelos absurdos,
a sensatez nunca foi um porto para mim.
Buscava dançar para as formigas,
conversar com os passarinhos.
Confesso que me sentia muito triste quando os passarinhos cantavam e voavam...

Eles me deixavam falando só.


Só depois agradeci, por eles me buscarem sempre para o além...

sábado, 8 de março de 2014

Horipontes


Algumas das fotos postadas foram tiradas por uma amiga passarin, R. Lucas :)


Pego-me novamente reflet(indo) o coti(dia)no. Há alguns anos, horizontalizei horizontes; pude enxergar uma abertura ampla, uma diversidade ‘comum’, porém, incomum. Muitxs insistem em horizontes, poucos insistem na abertura ‘angular’ dele. Refiro-me às horizontalidades verticais, naqueles discursos falaciosos (ou sim?), que mais alimentam angústia, perversidade ao invés de horipontes!

O que quero dizer com horipontes? Para mim, seria sinônimo de travessia. Com licença, mas acredito que cada palavra tem vida e não vida comum, recorro sempre a um dos meus poetas preferidos, quem me conhece já sabe, Manoel de Barros. Maneco já diz: “quanto às funções da poesia...creio que a principal é a de promover o arejamento das palavras, inventando para elas novos relacionamentos, para que os idiomas não morram a morte por fórmulas, por lugares comuns.”. Então, sinônimo de trave(cia). Sim, companhias. Para qualquer mu(dança) que passei dentro dos últimos cinco anos (não é coincidência a minha entrada numa Universidade), tive a oportunidade (ainda tenho) de degustar potentes e maravilhosos encontros. Não quero individualizar a ação, afinal, sou singular, mas também sou plural!

Em 2017, me encontro com uma pessoa que considero amiga. Somos amigxs distantes, no aniversário sempre envio um canto de pássaro! Percebo nos discursos nossos distanciamentos teóricos, inclusive (o mais perceptível), nossa concepção de mundo e de homem. Esse mesmo amigo acha um absurdo mulheres (com toda licença da palavra, com todo respeito) fuder com cinco, três, dez homens; ele ainda acredita em toda aquela concepção doméstica, pura, santa das mulheres, indicando seu discurso machista. Conversa flui, apesar dos distanciamentos, mas sempre procuro acolher meus/minhas amigxs, afinal, amo-os.

Durante a conversa, o mesmo relatou a ‘dificuldade’ em encontrar uma mulher nesses moldes; além disso, fala com sorriso estampado no rosto que “comeu” três mulheres nas últimas semanas. Todavia, discute com precisão referências ‘intelectuais’, executa a oratória em outros idiomas. Realmente, pensando bem, hoje no mundo, isso basta! O que me deixa mais impressionado é para nossa ação temporal: entramos praticamente numa mesma época dentro do ‘universo’ que chamam a ‘Universidade’, possuímos praticamente uma mesma condição socioeconômica, mas o tempo é bastante atemporal.

Nessas situações que percebo a importância da horizontalidade dos horizontes; a necessidade das trave(cias) nos horipontes! Cada ponte é um caminho, outras não tem nem se quer caminho, outras levam a um mesmo caminhar, outras ainda oferece tantos outros caminhos. Ah, o que me deixa preocupado também é que essx mesmx amigx deseja um “feliz dia internacional da mulher”, com flores, bombons e cartãozinho. Não, não sou contra flores, bombons e muito menos cartãozinho, apenas não acredito nas horizontalidades verticais (e porque não paradoxas?). Pacientemente impaciente...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Escre(ver)




Não consigo me expressar oratoriamente, o escrever me deixa mais perto de mim! Talvez, pela liberdade que me traz; pela suavidade que me beija; pela inventividade que carrega. A minha alma parece saltar; a lua que me lembra nós dois, se resume a solidão; a poesia, o que seria ponto de intersecção, parece não me encantar. No momento, somente a solidão me acolhe, a tristeza chega perto, o não-falar me consome; os meus dedos correm, correm, as músicas disparam, meu estômago dói. Acompanho sem perceber o canto dos grilos, ouço até uma formiga caminhando. Mas não sinto meu caminhar. Fico brechando o sol vir. Só horizonto estrelas se derretendo. Ou será meus olhos?

Neste descompasso compreensível, não compreendo! Não me deixo compreender, muito menos me amar. Os símbolos parecem não fazer sentido. A alegria resolveu descansar, e deixar de prontidão a angústia, sofrimento. Talvez sentir o caminho não percorrido. Deixo-me não ir...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um dia típico para atipi.cidades



Atrás de buscar existência, me escondo nas árvores para gravar o pouso do beija-flor. Aliás, nunca fora tão recorrente a frase que amanheceu comigo: “uma flor nasceu na rua”. Sempre me perguntava por que Drummond festejara tanto pelo simples nascer de uma flor! Interessante, a flor para Renally é mãe; a flor para Thaíza é luz; a flor para Mattheus é o ponto de equilíbrio de uma quarta-feira; a flor para Lais é revolução; a flor para Mainha é paixão. Pelo norte das flores, fui a procura do cotidiano incomum; para mim, a rotina se transformava num aconchego celestial. Minha única preocupação durante o dia é não atrasar para o espetáculo do por do sol.
No microcosmo, as pessoas se alimentavam de vida! Umas contemplavam o amanhecer, para quem era da tarde; outras sentiam o entardecer, para quem era da manhã; sem manha, a natureza era ponto de intersecção dos seres. Isso era passado de criança para adulto.
Enaltecendo os (des)percebidos, encontramos mãe, luz, equilíbrio, revolução, paixão! Chocamo-nos também com a ignorância, impaciência, e as luzes estrelares. Nada mais encorajador que escutar: “olá, você está precisando de ajuda?”; além do mais, apreciamos escutatórias amorosas. Ah, mas nada mais gratificante que ganhar um sorriso infantil, daqueles onde o simples voar de uma minhoca provoca insensatez.
Degustei todas as situações no cotidiano incomum. Observei convite de aniversário de um pedinte; elefantes oferecendo carona para borboletas; o por do sol pedindo mais tempo para o luar; e os amigos pedindo mais tempo para celebrar. Sinto que usei uma lupa, mal observava o camelo passar na minha frente.
E logo entrei no coro junto ao Drummond: “uma flor nasceu na rua”. Reconheço minha suavidade histérica ao gritar; era uma felicidade tão grande por entender/sentir o significado de captação da frase. Afinal, nas ruas nascem flores que poetas exigem em afirmar que são vidas!

Flores!!!!! 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Ali(mente)-se!



Para não cair no esquecimento! Alimente-se...

Com açúcar, com afeto.

Breno Lincoln Diniz.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Outros olh.ares

E que a necessidade de suportar o coti(dia)no seja sempre motivo para (re)inventar, viver, (des)aprender, e degustar as melhores performances infantis! Que os nossos novos anos possibilite reflexão, movimento, vida, aconchegos rastejantes e encontros potentes!!!

Com açúcar, com afeto.




Nasci para o infinito...
Preencher pequenormes vazios!
Vazios de vida!
(Re)inventar vida? (Des)construir pragmatismos?
Inventar!
Brincar!
(Arte)sã.nar...
Quanta vida existe entre as poesias, no coti.dia.ano rotineiro, quanta vida!
Dinami(cidade).
Despropositadamente, encontros com um canto de en(canto).
Degustemos o pôr-do-sol...
Vivemos nos alimentando do luar!
E sempre nos lambuzemos nas guloseimas da poe(cia)!

Eita, terá limite?


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Loucura por desnecessidades

desnecessidade

Fins de ano muitos recorrem à solidariedade, amizade, laços estreitos, também desfeitos; muitos cegos para maioria dessas ações, poucos memoram para os atos em eventos da vida diária. Todavia, exalam beijos, abraços, carinhos, afetos desaguados. Interessante, procura-se ajudar ao próximo, e pouco ajudamos a quem está ao nosso lado, bem visível na cegueira habitual.

Lógico, os que não comungam do pensamento, minimamente, serão taxados. Ué, mas se o que gosto de sentir são esses atos cotidianamente; e pouco brota isso na maioria do ano. Gentileza é visto por gente lesa miudamente. Engraçado, atos tão miúdos e efeitos tão maiúsculos. E fins de ano é assim, vou me envolvendo, vou me encontrando, felizmente satisfeito broto risos, abraços, poesias, beijos, afetos. É uma sensação tão enérgica, simbiótica. Pres@s, hospitalizad@s, tod@s correm para ‘casas’. Afinal, pouco mais de uma semana o marasmo ressurge, acompanhado do egoísmo, da individualidade, da invisibilidade da solidariedade em eventos corriqueiros. Ué, será que é a mesma gente? Gente como a gente? Ou gente por gente? Não, não, gente por cima de gente em filas, hospitais, prisões, escolas. Calma, a mesma gente?

E o processamento de tudo isso emperra nos meus pensamentos. Demoro a entender a mudança brusca para o bem repentino. Mansamente a ferocidade do mal flui. Incrivelmente incrível. Os dias correm, nem sequer notamos em lembrar do próximo; é muita coisa para tomar conta, realoque! E vai crescendo, crescendo a realocação de amor, afeto, união, solidariedade, percebidos como desnecessários.

É, talvez pouco entenda toda essa minha vontade de amar, se encontrar, beijar, abraçar. Alguns afirmam que sobrevivo de abraços. Vou realocando muitas desnecessidades como prioridades. Talvez justifique a minha loucura afetiva, me impulsionando para “amar e mudar as coisas”. Tenho dito, “me interessa mais”.