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| Algumas das fotos postadas foram tiradas por uma amiga passarin, R. Lucas :) |
Pego-me novamente
reflet(indo) o coti(dia)no. Há alguns anos, horizontalizei horizontes; pude
enxergar uma abertura ampla, uma diversidade ‘comum’, porém, incomum. Muitxs
insistem em horizontes, poucos insistem na abertura ‘angular’ dele. Refiro-me
às horizontalidades verticais, naqueles discursos falaciosos (ou sim?), que
mais alimentam angústia, perversidade ao invés de horipontes!
O que quero dizer com
horipontes? Para mim, seria sinônimo de travessia. Com licença, mas acredito que cada palavra tem vida e não vida comum, recorro sempre a um dos meus poetas
preferidos, quem me conhece já sabe, Manoel de Barros. Maneco já diz: “quanto
às funções da poesia...creio que a principal é a de promover o arejamento das
palavras, inventando para elas novos relacionamentos, para que os idiomas não
morram a morte por fórmulas, por lugares comuns.”. Então, sinônimo de
trave(cia). Sim, companhias. Para qualquer mu(dança) que passei dentro dos
últimos cinco anos (não é coincidência a minha entrada numa Universidade), tive
a oportunidade (ainda tenho) de degustar potentes e maravilhosos encontros. Não
quero individualizar a ação, afinal, sou singular, mas também sou plural!
Em 2017, me encontro
com uma pessoa que considero amiga. Somos amigxs distantes, no aniversário
sempre envio um canto de pássaro! Percebo nos discursos nossos distanciamentos
teóricos, inclusive (o mais perceptível), nossa concepção de mundo e de homem.
Esse mesmo amigo acha um absurdo mulheres (com toda licença da palavra, com
todo respeito) fuder com cinco, três, dez homens; ele ainda acredita em toda
aquela concepção doméstica, pura, santa das mulheres, indicando seu discurso
machista. Conversa flui, apesar dos distanciamentos, mas sempre procuro acolher
meus/minhas amigxs, afinal, amo-os.
Durante a conversa, o
mesmo relatou a ‘dificuldade’ em encontrar uma mulher nesses moldes; além
disso, fala com sorriso estampado no rosto que “comeu” três mulheres nas
últimas semanas. Todavia, discute com precisão referências ‘intelectuais’,
executa a oratória em outros idiomas. Realmente, pensando bem, hoje no mundo,
isso basta! O que me deixa mais impressionado é para nossa ação temporal:
entramos praticamente numa mesma época dentro do ‘universo’ que chamam a ‘Universidade’,
possuímos praticamente uma mesma condição socioeconômica, mas o tempo é
bastante atemporal.
Nessas situações que
percebo a importância da horizontalidade dos horizontes; a necessidade das
trave(cias) nos horipontes! Cada ponte é um caminho, outras não tem nem se quer
caminho, outras levam a um mesmo caminhar, outras ainda oferece tantos outros
caminhos. Ah, o que me deixa preocupado também é que essx mesmx amigx deseja um “feliz dia internacional da mulher”, com flores, bombons e cartãozinho.
Não, não sou contra flores, bombons e muito menos cartãozinho, apenas não acredito
nas horizontalidades verticais (e porque não paradoxas?). Pacientemente
impaciente...