Com açúcar, com afeto.
Breno Lincoln Diniz.
A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com a realidade. Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogios. Manoel de Barros
O que pensar duma educação bancária? Feliz em
nos ensinar questionamentos, posicionamentos, pensamentos fixos, inertes,
conservadores, e por que não fajuto de uma realidade pouco conhecida por
muitos, ou melhor, fingem desconhecer! Aprendo nas aulas de histórias que
pessoas simplesmente entraram na nossa casa e colonizaram, tá ali o fruto de
uma miséria em potencial; muitos acreditam que a mudança jamais é possível,
devido ao fato consensual! É, não aprendo nas aulas de histórias perguntas
(reflexivas) simples, porém, de pouca ação e efeito na vida bancária de tod@s.
O porquê da colonização? Porque não a reação d@s nativ@s? O que vem por trás de
tudo isso? Mera especulação sensível, algo muito pouco valorizado nesse
ambiente (mundo) que habito; inclusive, classificação puramente sensitiva para
as mulheres, de preferência. Mulheres, sensibilidades, homens, grosseria;
meramente, vou afirmando o machismo nas práticas cotidianas e ‘inatas’ ao
Homem. Momento algum questionamos os interesses primordiais de uma
bio(política)logia. Ah, lógico, descobriram-inventaram uma indústria da ‘cura’,
olha só. Muit@s tem acesso somente porque possuem capital. Naturalizo as formas
do existir com a ciência, chamada carinhosamente por mim nas décadas dos anos
90. Não me apresentam a (trans)cendência do existir, pelo contrário, você anda
assim, se veste assim, porque você é homem e ela mulher. Não inventem de querer
gostar do rosa, e ela do azul, permanentemente proibido. Ouviu? E já viram né?
Ouvíamos! Atrelado a isso, vou aprendendo todo o arcabouço teórico cartesiano
(e porque não positivista) da física newtoniana, e o fascínio da física
clássica, de Einstein, visto por mim como algo complicado, impossível, chato,
viajoso e só está aí para atrapalhar. A química me apresenta a necessidade de
ambientes isolados para o aprendizado, sempre visitávamos os melhores
laboratórios de cientistas, e nunca visitávamos uma ‘casa’ dum artesã(o). Ai
chega a geografia naturalizando essa merda de mundo simplista, em algo mais
simplista ainda. O mundo é uma bola, cheia de água, terra, pessoas, bichos,
prédios, tribos, disputa, poder, dinheiro, economia, lua, estrelas. Pedem por
uma reformulação no ato do ensinar, ai desconsideram Paulo Freire, sujeito
nunca visto nos meus onze anos de prática educativa bancária (consideremos o
ciclo estudantil esperado por tod@s nós). A única formulação: colocar nos
problemas resolutivos da matemática, histórias de vidas dissimuladas e
medíocres! Por exemplo, Zé Bicho pediu ao Bicho Homem mais conscientização para
problemas simples demais de resolver, traçar a tangente da pouca vergonha duma
maioria expressiva de gente em se conformar com o que lidamos aqui! Tá bom, o inglês
vem, bagunça tudo, e mal podemos brincar com o português, porque é visto como
sério demais por adultos! Brinc.ar com as palavras? Não, você basicamente
estará surtado. Ai posso voltar lá para o começo-meio do escrito, e perceber
que a ‘cura’ ainda é objetivo de muit@s. Por trás disso tudo, não via a
concepção política clara, determinada, e jurava que iria conseguir construir um
mundo servil, onde os que podiam simplesmente comandava, e os autores
principais, aqueles da labuta diária, ofuscad@s! Covardemente, silenciad@s. Eu,
lógico, acreditava numa possível neutralidade, onde o bem compensatório
bastava. E quando me deparo com essa complexidade de mundo, de gente, de
pessoas, de vida, de existir, de amar, de estudar, de viver, percebo que muito
tenho a (des)aprender!!!!